quinta-feira, 23 de junho de 2016

O nós e o eu


O casamento surgiu na minha vida não como um fim em si: o desejo de casar seja lá como fosse. O casamento para mim foi um meio. Meio de poder ficar mais próximo da pessoa que eu amava. Significava a liberdade de poder estar junto, crescer e nos desenvolver. Eu sempre desejei uma relação mais livre de amarras do que as tradicionais - mas sem a volubilidade, a superficialidade das relações modernas e totalmente liberais que se apregoa por aí. No entanto, notei depois de algumas crises de pânico, que foi muito mais forte em mim o que eu vivenciei em casa sobre o casamento, através dos meus pais, do que as minhas próprias ideias e vontades a respeito dele. Não apenas sobre isso, mas também sobre ter uma casa, um espaço próprio e compartilhado ao mesmo tempo. Percebi que apesar das ideias e vontades eu não tinha um repertório de atitudes condizentes com aquilo que pensava, e só agora me dei conta de que preciso criá-lo, eu e o meu companheiro. Vimo-nos apenas repetindo a configuração de casal que vivenciamos em nossas casas, com nossos pais. Desde nova eu pensava que um casamento como o dos meus pais não me caberia. Eu me sentiria sufocada, sem liberdade, sem identidade. E mais uma vez me vejo traindo a minha natureza. Sinto que perdi minha identidade e autonomia. O problema não é o casamento. Nós nos amamos muito e pretendemos seguir juntos. Mas a forma como configuramos essa vivência precisa ser revista, de forma que dê espaço para ambas as individualidades se desenvolverem. 

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