segunda-feira, 20 de junho de 2016

A evasão possível...

'...escrever funciona como uma válvula de escape, uma "evasão possível", mesmo que só minha, mesmo que minúscula e insignificante frente às grandezas das coisas. Mas é o que me alivia a alma neste mundo insano.' (02/01/09)


O curioso nisso é eu ter esta consciência do papel fundamental da escrita para minha sanidade mental e ainda assim passar mais de um ano sem escrever uma única palavra. Agora o emaranhado de sentimentos e pensamentos me atordoa. Preciso mais que rapidamente começar a desembaraçar esta porcaria.

'...abrir mão do blog seria, de certa forma, abrir mão de mim.' 25/11/08

Eu abri mão de mim? Eis a questão. Cheguei a acreditar nisso, mas agora, olhando nos olhos do meu abismo, ele acena para mim. A verdade é que, por um período, me vi decepcionada a respeito daquilo que acreditava e colocava grande expectativa e parte da minha energia, então supus que poderia dar novo sentido à vida colocando outras completamente diferentes, e até opostas, no lugar. Quis por vontade própria descartar alguns interesses e incluir outros, que julgava necessários e prioritários. E, em certa medida, isso foi eficaz, afinal eu não aprenderia a ter uma casa e a viver junto lendo ontologia do ser social. Eu precisava de um tempo para as novas aprendizagens que exigia o novo momento. No entanto, penso que poderia ter guardado ao invés de descartar os outros interesses. Seria mais fácil de recuperá-los num momento como esse. A vida nos confunde, passa por cima das nossas vontades. Eu não quero sofrer novamente por excesso de controle, mas preciso pegar em minhas mãos o rumo da minha vida outra vez. Pretendo fazer isso organizando os pensamentos, e escrevendo - talvez a minha única evasão possível -, entendendo como cheguei até aqui para estabelecer o que farei de agora em diante.


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