Se o vento parar e o sol castigar
Num dia ruim, num trânsito sem fim
Se o gás acabar e o sonho ruir
Se o choro chegar e o céu te engolir
Ouça a música que lhe faz bem
Você pode descer desse trem
Olhe um pouco pro lado
Não tem cadeado no seu pensamento
(...)
Olhe o mundo girando no chão
Olhe a pipa no céu, avião
Olha a sombra da árvore
Se oferecendo pra dar um alento
Tudo se desestrutura pra você se estruturar
Quando a fruta tá madura, ela pode se jogar
Sinta as pernas na cintura, se levante pra andar
Se é o chão que te segura, deixa o chão desmoronar
Alento é realmente o que esse cd - De Graça - do sensível Marcelo Jeneci, tem significado para mim nos últimos tempos.
Esse últimos versos conversam comigo.
Tudo se desestrutura pra você se estruturar, diz ele. Sim, forjar significados, lembrando que ninguém aguenta um tormento sem sentido, mas pode suportar uma imensa dor se essa tiver um propósito. Me desestruturando para me reestruturar, porque, afinal, se me sinto no abismo é porque algo não vai bem e precisa ser revisto, mudado, transformado.
Quando a fruta tá madura ela pode se jogar - ou seja, ela não precisa esperar que alguém a colha, ela tem condições de "se jogar", de ser sujeito da ação - como quem diz vai lá e faça;
Sinta as pernas na cintura, se levante pra andar - levanta dessa cadeira, afinal, pra que tens pernas?!
Se é o chão que te segura - e essa pra mim é a mais significativa de todas - deixa o chão desmoronar! - ora, o que mais me segura senão a segurança da estabilidade, do chão sob os meus pés? Mas sinto que o único meio de não estagnar e levar meu desenvolvimento a frente é deixando esse chão desmoronar.
Bem, ninguém disse que seria fácil...
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