domingo, 13 de novembro de 2016

Violência, impotência e feminismo

 A impotência diante de tantas situações de violência contra a mulher de que tenho conhecimento me angustia. Os mais variados tipos de abusos: psicológicos, físicos, econômicos... Me sinto péssima quando sei quantas mulheres tão próximas de nós vem sofrendo violências de toda sorte e eu simplesmente não posso pegá-las com as mãos e tirá-las da situação. Para mudar qualquer coisa nessa vida há de se ter um impulso próprio, uma força interior que te empurre para tomar alguma atitude de libertação. Mas o que fazer quando a pessoa está fragilizada a ponto de não existir mais forças dentro de si que a impulsione a dar um basta ao abusador? Ou, pior ainda, quando a própria vítima naturaliza os abusos sofridos? Quando esta acredita que é merecedora de tal situação? Que é sua culpa? Ou que o sofrimento é uma forma de expiação dos pecados?! Como desfazer na cabeça de uma mulher todas essas crenças que as vezes são tão enraizadas e profundas? Como fazê-la acreditar em si mesma e fazê-la crer que ela não merece e não precisa desse sofrimento? Que ela tem o direito de exigir dignidade, respeito e uma vida livre de abusos?? Como reparar a auto-estima dessas mulheres para que elas se fortaleçam e rompam com essa cadeia que as mutilam?? 

O movimento feminista quando se volta para os livros e análises bibliográficas e debates sem fim, perde de vista essa realidade tão brutal e próxima de nós. E eu venho percebendo que esse feminismo já não comporta minhas dores e questionamentos a respeito do que é ser mulher nesta sociedade. Jamais estou dizendo que este não é necessário. É, e muitíssimo. Porém, sinto-o limitado em sua capacidade em dar respostas mais efetivas e que contemplem a multiplicidade de questões que envolvem esse tema.


Eu ainda não sei o que fazer diante disso tudo. Apenas sei que cada caso de abuso que me chega sinto uma parte de mim também ser violada.

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