segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Tentando entender...

Para não pirar com tantos acontecimentos insanos  - golpe institucional no Brasil, Trump nos EUA, e mais a gigante onda conservadora que invade o planeta - preciso subir no alto da montanha e observar de longe. Observar a partir da história. Ou melhor dizendo, a história do homem e da sociedade - que até então tem sido a história da luta de classes. Numa sociedade marcada pelo capital, não é tão difícil compreender a loucura do mundo. Se a lógica do capital é o aumento da taxa de lucro, e que por isso temos crises de tempos em tempos, porque é impossível o lucro crescer interminavelmente, fica mais fácil entender a onda conservadora. A queda ou instabilidade dos lucros gera insegurança econômica, política e social, pois atinge cada camada da sociedade. Se há insegurança, não há investimento, se não há investimento não há produção, se não há produção não há empregos e por aí vai... O capital vai exigindo mais espaço... vai diminuindo os estados - privatizando, cortando benefícios e serviços públicos - para sobrar mais dinheiro para o capital poder se ampliar. Vai exigindo, para isso, mais poder - golpes de estado são para isso. A instabilidade da sociedade vai criando medo e insegurança nos indivíduos, que passam a ser mais violentos, inclusive sobre as minorias e os mais oprimidos. A sensação de escassez e o medo fazem a luta pelo poder e domínio aumentar, crescendo a opressão, o preconceito, a segregação. É instintivo. O homem animal que aprendeu que a vida é escassez se prepara para guerra para garantir sua sobrevivência. O outro, diferente de mim, é o inimigo. E assim o conservadorismo avança a passos largos. Todo diferente é inimigo: mulheres, negros, homossexuais... Tirar direitos e liberdades, subjugar para dominar e reafirmar o seu poder. É como se a falta de controle sobre as condições se vida se revertesse em necessidade de controle sobre os demais - como uma forma de compensação. Essa é uma faceta do capital. Não é o mundo que está louco ou sem sentido, pelo contrário. Diante da lógica na qual vivemos, momentos como esses são explicáveis e vão sempre se repetir na história, cada período com suas especificidades. A correlação de forças entre o trabalho e o capital é o que dirá qual será a saída de cada uma dessas crises humanas. 

Bem, só para esclarecer, essas são divagações da minha cabeça e não estão embasadas em nenhum livro ou autor ou qualquer coisa assim, ou seja, podem bem estar erradas rs. São apenas sensações e impressões minhas.

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