A nossa mente é uma coisa de louco. Ela nos engana muitas vezes. Nos boicota. Nos faz sofrer e pagar de idiotas. A mente pode nos proporcionar dores. Dores mesmo! Pois o que não é o pânico senão sensações físicas desencadeadas por um desequilíbrio em nossas mentes? Nossa mente é capaz de criar ameaças absolutamente fictícias e ainda nos fazer crer piamente nelas, sem qualquer tipo de discernimento! Nos faz avaliar erroneamente algumas situações, ou até mesmo a vida. Ela exagera e torna tudo uma catástrofe iminente! Nos leva algumas vezes a enxergar a nós mesmos de forma equivocada, por mais racionais que sejamos!
Então, eu andei me perguntando... por que tanto descontrole? Ora, acalme-se, nada daquele desejo desenfreado de controlar tudo, não. Estou a falar de disciplinar. Veja, nós moldamos nossos corpos conforme as necessidades e exigências do mundo. Nós o treinamos para ser capaz de andar sobre duas pernas, para usar talheres e dirigir automóveis. Treinamos a língua para pronunciar as palavras. Disciplinamos o corpo a manter-se quieto quando precisamos estudar e o treinamos para nos deslocarmos com destreza pelos espaços - todas essas capacidades já estão contidas em nosso corpo, mas se não as desenvolvemos, elas não são nada e não servem para nada. Graças a esse desenvolvimento, não saímos por aí andando de qualquer forma, esbarrando em coisas e pessoas, tropeçando, topando em tudo - a não ser quando se está com labirintite, aí sim! Mas novamente é um problema de equilíbrio, descontrole, e é horrível, vamos logo no doutor nos tratar! No entanto nossa mente quando entra em desequilíbrio - ou num contínuo estado de desequilíbrio - dificilmente procuramos ajuda. Porque ela simplesmente nos faz pensar que isso é natural! Ou que não há possibilidade de mudar esse fato, como se fosse uma característica ineliminável do indivíduo.
A meditação nos ensina a observar os movimentos da nossa mente como se fossemos espectadores. Nos ensina que nós não somos a nossa mente, nem ela é o que somos. Você definitivamente não é o que pensa. Pensamentos são só pensamentos, eles vão e vem a todo momento. Assim como as pernas, a mente também nos serve de instrumento fornecido pelo nosso corpo. Assim como aprendeu a manejar as pernas para aprender a andar, deve-se aprender a manejar a mente afim de que viva com algum conforto psíquico - o que pode nos trazer enormes benefícios e nos livrar de dores desnecessárias. A nossa mente transborda pensamentos inúteis, inverídicos e negativos. É como sair trombando por aí! É quando uma capacidade do corpo está transbordando e descontrolada. É preciso colocar a mente no lugar dela. Desligar o piloto automático. Somos nós que mandamos nessa bodega! Se posso controlar minhas mãos e dedos tão bem enquanto digito esse texto, porque também não posso treinar e disciplinar a minha mente para ela agir a meu favor?? Pois a meditação é o exercício necessário à mente. Treinar a mente para mantê-la ligada no presente. Afinal, este é o único lugar onde a vida acontece. O passado não volta e o futuro não se sabe! Precisamos treiná-la para perceber e deixar que se vá com o vento os pensamentos inúteis. São pensamentos destrutivos esses, precisam partir. Eles podem chegar, é natural que cheguem. Mas o dono da casa deve encaminhá-los gentilmente à saída. Deixar espaço para respirar e perceber esse movimento que nos é vital é fundamental. Perceber, sentir as sensações do corpo e do ambiente. Tudo isso faz surgir uma nova consciência. É um aprendizado - não, gente, não é misticismo, eu garanto. Aprender a manejar as nossas capacidades - todas elas - faz parte do nosso desenvolvimento.
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