Admitindo e aceitando a escuridão do poço
Para começar nossa escalada de volta à superfície a primeira coisa a fazer é: admitir a escuridão. Reconhecer a bad, aceitar o poço, admitir a si mesma que você não está tão contente com sua vida como gostaria. Mesmo que nela tenha tudo o que alguém haveria de querer. Mesmo que tenha conquistado tudo o que determinou a si mesma.
Para começar nossa escalada de volta à superfície a primeira coisa a fazer é: admitir a escuridão. Reconhecer a bad, aceitar o poço, admitir a si mesma que você não está tão contente com sua vida como gostaria. Mesmo que nela tenha tudo o que alguém haveria de querer. Mesmo que tenha conquistado tudo o que determinou a si mesma.
Encarar a infelicidade e todo o peso que ela traz consigo de culpas e julgamentos não é simples. Mas aceitar esta condição é fundamental para superá-la. Permita se sentir desolada, infeliz, sem rumo, sem sentido. Soltar o monstro e ouvir atentamente o que ele tem a dizer, é isso que deve ser feito.
Na sociedade do hedonismo, do prazer, do gozo, admitir que você está infeliz é quase admitir que você é um fracassado. Quando não pior, te consideram um doente, alguém com algum desvio mental cujo corpo supostamente deixou de produzir qualquer substância química da qual depende a felicidade.
Pois eu garanto: seu corpo está perfeito, doente é este mundo e o que ele impõe sobre nossas vidas, nossos corpos e mentes. Os padrões nos quais tentamos nos encaixar, a cobrança do consumo, do sucesso, da felicidade, a ilusão da meritocracia, da vida do comercial de margarina. A opressão e violência que nos submete e aceitamos passivamente. O medo de não ser o suficiente, não ter o suficiente, de falhar, de não suportar, de perder. A falta de empatia. O concreto, o barulho, a pressa. Vivemos correndo contra o tempo, torcendo pra que a semana acabe, o ano termine, a aposentadoria chegue. Essa corrida, essa disputa, esse consumismo desmedido onde o ter define o ser...
Diante desse salve-se quem puder, ainda que em nossa mesa tenha do bom e do melhor, ainda que tenhamos trabalho, saúde, família e aparentemente tudo aquilo que alguém há de querer, este modo de viver se torna um redemoinho que vai, aos poucos, nos esgotando, nos esvaziando, nos roubando aquilo de que temos de mais precioso: nossa própria vida, nosso eu mais autêntico. Quando nos damos conta, já nem sabemos o que somos e o que estamos a fazer por aqui... Aquilo que temos de melhor foi deixado em cacos pelo caminho para dar lugar a uma busca enlouquecida mal sabemos pelo o quê.
A perda de si mesma é a mais dolorosa! Fique atenta!
Logo, a segunda coisa a fazer é: não se culpar. A culpa é um sentimento cristão que não serve para nada. A culpa te paralisa e te faz amargurar na solidão da tua dor. Logo o ser humano que possui uma capacidade de regeneração, de transformação, incríveis, jamais deveria se permitir ficar refém da culpa! Ninguém escolhe como e quando vir ao mundo, e se me deparo com um mundo distorcido, é natural que seja difícil viver por aqui. Ninguém nasce maduro. Cometer erros é natural do crescimento. Estar infeliz não é demérito algum e faz parte da condição humana.
Deixe claro ao seu monstro que ele não é o culpado por tudo e que não está sozinho. Dê a mão a ele, o coitado também precisa sair dessa fossa pra parar de rosnar no seu ouvido.
De Mim para Mim Mesma
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