O facebook virou a janela que os loucos e doentes mentais encontraram para vomitarem suas asneiras na sociedade sem que se sofra represália por isso. Mas o que me assusta é a quantidade de gente curtindo e compartilhando. Há mais gente doente do que podemos imaginar. Qual é o problema dessa gente misógina, homofóbica e violenta? Eu não consigo encontrar lógica na satisfação em subjugar, dominar, escarnar, violentar um outro ser humano, seja essa violência física ou psicológica. Sério. Pra mim isso só pode ser doença, por que um ser humano em seu pleno estado de equilíbrio mental não seria capaz de se regojizar com o sofrimento do seu semelhante. Por exemplo, o que se passa na cabeça de um ser humano que apóia tipos tão sórdidos como Bolsonaro? Qual é o medo dessa pessoa para que ela se apegue a uma figura tão abominável, com ideias tão retrógradas e ultrapassadas? Eu não entendo onde está a satisfação em restringir o direito do outro ser simplesmente o que é. Sinceramente. É sufocante abrir o facebook e me deparar a todo momento com tanto absurdo!
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O obscurantismo vem avançando a passos largos e está invadindo todos os âmbitos da sociedade. É apavorante. E eu honestamente não sei o que eu, camila, faço no meio desse redemoinho que, cedo ou tarde, vai levar todos nós ao fundo do poço. Por que já não basta ter um fundo do poço particular ainda vou participar do fundo do poço que a nossa sociedade está criando?! É muita escuridão pra uma pessoa só. Mal consegui sair do meu! Me dói quando vejo aquela frase de 'nem sei quem' que o problema não é o avanço dos maus, mas o silêncio dos bons. Eu sei que estamos entrando em tempos sombrios e que esse barco vai afundar, mas eu não tenho palavras nem voz para esboçar uma luta que seja ativa e não apenas de face, contra todas essas barbaridades. A PEC da desgraça está aí, e aí? O Escola Sem Partido está avançando. O feminicídio, o ódio às feministas e a misoginia num geral estão batendo à nossa porta, mas, o que fazer? Se mal consigo me recompor diante dos desafios da minha própria vida? Se sequer consigo definir uma identidade enquanto mulher sem esbarrar em todos estereótipos de gênero que nos enfiam goela abaixo, mesmo sendo antenada e me auto intitulando feminista?! Eu que não consigo ser uma pessoa melhor nem para mim mesma, como vou lutar por pessoas melhores e uma sociedade mais justa? Ainda que eu tenha certa noção de que os problemas que me afligem são de ordem social e não puramente individual, ainda assim não consigo me engajar num movimento coletivo que enfrente todas estas questões e conciliar isto à minha busca por equilíbrio mental. Mas, ao mesmo tempo, me portar como mera espectadora desse show de horrores também é de pesar na alma! E agora, Jose?
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É difícil perceber o quanto ainda sou escrava daquilo que nos ensinaram sobre o que é ser mulher. Eu que me senti sempre tão libertária e tendo uma visão aberta e sem preconceitos. Eu continuo olhando pra pia cheia de louças e me sentindo culpada. Abro a geladeira e vejo as verduras estragando, me sinto culpada. As gavetas desorganizadas, a lavanderia uma zona, de quem é a culpa? Culpada quando tenho vontade de ficar sozinha e não na companhia do meu esposo! Culpada quando os mil cuidados com o corpo são tarefas que se acumulam interminavelmente simplesmente porque me dão tédio. Como ainda sou refém e escrava disso tudo! E essa escravidão é tão sutil! Eu que nem mãe sou ainda me sinto sufocada pelos tantos papéis que a sociedade nos lança, e eu os tomei todos para mim sem perceber. Porque na verdade não escolhemos, essa é simplesmente a condição dada para nossa existência. Sequer imagino o que seria diferente disso. Eu assumo! Depois que casei notei que até para ser feminista sou incompetente! Porque apesar de saber de cor as lutas e bandeiras e histórias eu simplesmente não sei de modo algum implementar qualquer coisa de prática na minha própria vida cotidiana que vá além daquilo que está na superfície da questão feminista.
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Sinto um incomodo imenso frente a essas questões coletivas que se entrelaçam à minha vida pessoal e psíquica. Eu não consigo nem enfrentar, nem fingir que nada está acontecendo. Fico num limbo. Eu sempre aviso aos navegantes, o limbo é o pior lugar pra se estar! Não é lá nem cá. Não vai nem fica. É um estado quase vegetativo. Não se vive, mas morto não está. É desconsertante. E eu não faço ideia de como reagir a este estado anímico, porque quando penso no individual suas respostas esbarram no coletivo, e ao pensar no coletivo acabo esbarrando nas barreiras individuais e pessoais.
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