Minha mente ansiosa é uma bomba relógio. Se eu me descuido um minuto que for, pronto, está formada a confusão! Se esqueço minha dose diária de respiração, já era, logo vejo minha paz indo pelo ralo sem ter qualquer ideia dos motivos daquela aflição. A vantagem de aprender a sentir as reações do corpo, que aprendo dia a dia com a meditação e a ioga, é que assim que os sinais aparecem acende uma luzinha de alerta no meu cérebro: ansiedade detectada. É um sutil arrepio que percorre o corpo sem explicação, é um aperto no peito, são as mãos geladas e úmidas...
Todos os dias faço uma meditação que orienta: perceba as sensações sem querer mudá-las, apenas identifique, explore, mas aceite, porque elas já estão aí. Ok. Esta tem sido a parte mais difícil. Quando percebo os sinais da ansiedade minha mente já pira "ai, estou ansiosa, e agora, por que será, tenho que me acalmar, tenho que respirar, preciso entender porque, preciso me livrar disso". Daí já estou sentindo pontadas no peito e dores na barriga, e a mente de novo "viu, o que pode ser isso? será que estou doente? Será que é da ansiedade? E se não for? o que significa dores de barriga? será que vou morrer?". A mente me confunde. Nunca sei se o que estou sentindo fisicamente é puro sintoma de ansiedade ou se é algum sinal de uma doença terrível, ou um sinal de que algo terrível vai acontecer. Mas a melhor resposta que me deram foi: sim, você vai morrer. Mas não por essa dor de barriga. Por qualquer outra coisa em qualquer outra hora, mas não agora. E apenas quando saio desse ciclo é que fica claro: viu, era só ansiedade. Porém, antes de sair desse labirinto, a mente já vem de novo "viu, sua louca, mente louca, demente, fica criando coisa, inventando, doente. tenho que parar essa mente, tenho que controlá-a, preciso me livrar desses pensamentos, isso está errado, estou fazendo errado, não estou conseguindo me controlar, socorro tenho que parar isso ou vou enlouquecer". Sendo que tudo o que a meditação ensina é: esteja aberto. Abra-se para qualquer sensação ou emoção, permita que elas estejam ali, não queira mudá-las ou se livrar delas. E quanto mais eu rejeito essas emoções, mais aumenta a sensação de angústia e os sintomas físicos da ansiedade, até eu desanimar e minha mente dizer "viu, você não consegue, não adianta, a ansiedade sempre vai estar aqui e sempre vai te dominar, você não pode com ela, seria melhor tomar remédios, ou nunca mais sair de casa, dormir eternamente, porque não há nada que você possa fazer, nada que você faça vai evitar as tantas coisas horríveis desse mundo que podem te acontecer". Então eu esmoreço, sinto que nada mais tem graça na vida, nem tem sentido viver já que tem tanta desgraça a espreita.
Essa ansiedade cria um mecanismo que se retroalimenta. Os sinais físicos da ansiedade, quando os percebo, aumentam a ansiedade, o que por consequência ampliam esses sinais físicos da ansiedade e por aí vai infinitamente. A mente influencia o corpo e o corpo influencia a mente. Esses dois estão mais interligados do que a gente imagina...
Esses diálogos internos da mente não fazem o menor sentido na vida real. Nada daquilo está acontecendo fora, mas tudo internamente. Pensamentos não são fatos. Pensamentos são só pensamentos. Não posso me apegar ao que eles dizem. Não posso rejeitar as sensações do corpo, nem as emoções. E mais uma vez eu estou errando porque a meditação também orienta a não se criticar, a ter compaixão por si próprio, a não ser tão exigente e tão severo consigo.
Ok, vamos tentar de novo.
Tudo bem isso acontecer. Não é um erro. Pelo contrário, reconhecer os padrões da mente significa que estou no caminho, que estou tomando consciência desses processos e que isso me possibilita escolher com mais serenidade as respostas que devo dar a isso, escolher como minha mente deve reagir a esse sistema de pensamentos e emoções.
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