domingo, 30 de abril de 2017

Amor



O amor não está dentro de um frasco com conta-gotas devendo ser usado de forma econômica com risco de acabar. O amor está no universo e nós podemos nos nutrir dele o quanto acharmos necessário. Um amor jamais anula o outro. Nossa capacidade de amar é infinita. Cada amor me alimenta e me faz mais humana. Cada amor que doou ao outro me faz mais inteira. O amor não tem sexo. Eu amo pessoas. E não vejo mal nisso. O mal está em não amar. O mal está em negar o amor, em dar amor à conta-gotas, ou em achar que se amo um não posso jamais amar outro. O amor não pode ser medido, não pode ser mensurado. O amor não é comparável, ele é substância inconstante que pode tomar qualquer forma. O amor não pode ser castigado. Não há culpa no amor. Não há razão no amor. Não há ciência que o defina nem discurso que o determine. Negar o amor é negar a nossa própria natureza. Deve-se somente permitir que o amor seja apenas o que é, é preciso se render a ele, deixar que ele flua por nós da maneira dele, na forma como ali ele se manifestou. É uma das maravilhas que a vida concedeu e só podemos agradecê-la nos permitindo navegar nas águas, às vezes calmas, às vezes revoltas, do amor. O amor não foi feito para ser castrado, ele existe para ser sentido, vivido e festejado. Não maldiga o amor se ele se apresentar como um labirinto, um abismo, um fosso profundo. Não teime com o amor, não insista que ele se manifeste de outra forma, não o rejeite por suas intempéries. Se realmente for amor, sê leve e flutua com ele feito bailarina que não perde o passo e a graciosidade, ainda que seus pés apertem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Era uma noite fria. Vivíamos no campo, eu, minha mãe e meu irmão. Ele era cruel comigo, se sentia meu dono desde que nosso pai havia morrido...