Minha mente se parece com uma turbina de avião. Gira tão rápido que tudo pode mudar num piscar de olhos.
Um belo dia cinza acordei ainda de madrugada com a sensação de que a vida não tinha propósito, sentindo algum, não havendo razão ou motivo pelo qual valha a pena estar vivo. Olhar a vida de cima e sentir desprezo por ela é algo aterrador. Sentir que não há qualquer justificativa para estarmos aqui sujeitos a passar por todo tipo de dores e sofrimentos te causa a impressão de que tanto faz a vida quanto a morte. Nem mesmo os prazeres e alegrias momentâneos nos oferecem razão suficiente. É deprimente quando me vejo nesta ladainha interna. Parece que estou afundando num poço profundo e nem posso mais ver a luz da superfície. Quando então eu acordo e recebo uma notícia absolutamente triste envolvendo uma pessoa que estimo, pois ora, percebo minha profecia se concretizando: realmente, a vida não tem sentido algum. Para que nos arriscar em aventura tão perigosa? Nem pedimos para nascer e somos lançados como prezas fáceis compulsoriamente neste jogo de salve-se quem puder. E olha que a minha sorte tem me sido muito generosa! Mas se ela me abandona, estou perdida!
Foram alguns dias sem conseguir me alimentar e sequer sentia vontade de deixar a minha cama. Não tinha sono, mas uma mente perversa obscurecendo meus pensamentos, acinzentando a vida, me impedindo de viver. Vários questionamentos sobre pontos que já estavam resolvidos, ou em vias de, foram surgindo com muito mais intensidade. A negação de qualquer coisa metafísica ou transcendente veio com uma força arrasadora. Todas as soluções que pude propor para os meus surtos/crises/pânico/sensibilidade ou seja lá o que isso for, foram por terra de uma só vez. Não tinha restado nada deles. Nem a ideia de que um dia eu pudesse ter suposto algo parecido. Era insano! Então um medo de novamente ter crises incontroláveis tomou conta de mim. Eu queria uma resposta de qualquer jeito. Eu queria uma resposta lógica, observável que satisfizesse minha razão e que de preferência me oferecesse uma solução prática.
Eu não obtive essa resposta e minha terapeuta negou qualquer possibilidade de me enquadrar em algum transtorno mental. Eu já estava quase me oferecendo para ser matéria de estudo, foi quando alguma coisa aconteceu.
Recebi de inesperado, de uma antiga amiga, uma cartinha que eu havia lhe escrito cerca de 6 anos atrás. Ao ler a carta no whats relembrei quanto carinho eu dedicava a esta amiga e o quanto eu podia ser amorosa com alguém. Em seguida ela me manda outra foto, o verso da carta, no qual eu dedico à nós um "brinde de figuinho". Num lapso de consciência, vi a minha vida voltando como num filme em que apertava o botão de ré, e então eu me via de volta à São Thomé das Letras naquele janeiro de 2011, eu e ela subindo a rua calçada com pedras, comprando a pinga de figuinho e indo em direção à piramide assistir ao pôr do sol. Neste momento me veio um insight, algo como uma eureka! Sim, é pra isso que a vida serve! Pensei. Não, não para enchermos a cara de pinga, como parece, mas para nos transformarmos. Ora, como assim? Naquele insight pude perceber que aquela não foi uma simples viagem. Todas as vivências que tive naqueles dias transformaram algo em mim.
Foi em São Thomé que eu descobri que meus olhos podiam se umedecer diante de uma paisagem. O por do sol da pirâmide me parecia uma poesia viva. Foi diante do céu mais absurdamente estrelado que já que vi que pude perceber a vastidão desse universo e o quanto sou ínfima diante de sua grandeza. Ao mesmo tempo era como se lá do alto do cruzeiro eu pudesse beijar as estrelas. No vale das borboletas enquanto nadava de costas no poço assistindo a dança das incontáveis borboletas coloridas foi que me encantei com a magia e graça da natureza. Na gruta de sobradinho descobri uma coragem que estava escondida há muito tempo em algum lugar dentro de mim. Enfim, São Thomé me revelou um segredo muito precioso: me fez perceber que apesar das mazelas do mundo, das nossas dores e sofrimentos, nele há também uma natureza bela e generosa, que tem a capacidade de ser bálsamo para nossas feridas, podendo nos regenerar, nos nutrir e revitalizar. Lembro-me que antes dessa viagem eu andava cheia de dedos e a me lamentar sobre "um mundo cuja história se distorceu". E daquela pirâmide eu voltei renovada e cheia de força.
Acho que o propósito da vida pode ser simplesmente esse: experimentar e crescer com cada pequena grandiosa transformação que as vivências mais inesperadas nos provocam. Aprender alguma coisa com elas e ir agregando em nós cada pedra preciosa que encontrarmos pelo caminho.
Recebi de inesperado, de uma antiga amiga, uma cartinha que eu havia lhe escrito cerca de 6 anos atrás. Ao ler a carta no whats relembrei quanto carinho eu dedicava a esta amiga e o quanto eu podia ser amorosa com alguém. Em seguida ela me manda outra foto, o verso da carta, no qual eu dedico à nós um "brinde de figuinho". Num lapso de consciência, vi a minha vida voltando como num filme em que apertava o botão de ré, e então eu me via de volta à São Thomé das Letras naquele janeiro de 2011, eu e ela subindo a rua calçada com pedras, comprando a pinga de figuinho e indo em direção à piramide assistir ao pôr do sol. Neste momento me veio um insight, algo como uma eureka! Sim, é pra isso que a vida serve! Pensei. Não, não para enchermos a cara de pinga, como parece, mas para nos transformarmos. Ora, como assim? Naquele insight pude perceber que aquela não foi uma simples viagem. Todas as vivências que tive naqueles dias transformaram algo em mim.
Foi em São Thomé que eu descobri que meus olhos podiam se umedecer diante de uma paisagem. O por do sol da pirâmide me parecia uma poesia viva. Foi diante do céu mais absurdamente estrelado que já que vi que pude perceber a vastidão desse universo e o quanto sou ínfima diante de sua grandeza. Ao mesmo tempo era como se lá do alto do cruzeiro eu pudesse beijar as estrelas. No vale das borboletas enquanto nadava de costas no poço assistindo a dança das incontáveis borboletas coloridas foi que me encantei com a magia e graça da natureza. Na gruta de sobradinho descobri uma coragem que estava escondida há muito tempo em algum lugar dentro de mim. Enfim, São Thomé me revelou um segredo muito precioso: me fez perceber que apesar das mazelas do mundo, das nossas dores e sofrimentos, nele há também uma natureza bela e generosa, que tem a capacidade de ser bálsamo para nossas feridas, podendo nos regenerar, nos nutrir e revitalizar. Lembro-me que antes dessa viagem eu andava cheia de dedos e a me lamentar sobre "um mundo cuja história se distorceu". E daquela pirâmide eu voltei renovada e cheia de força.
Acho que o propósito da vida pode ser simplesmente esse: experimentar e crescer com cada pequena grandiosa transformação que as vivências mais inesperadas nos provocam. Aprender alguma coisa com elas e ir agregando em nós cada pedra preciosa que encontrarmos pelo caminho.
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