domingo, 14 de maio de 2017

Cigarro - Zeca Baleiro

A solidão é meu cigarro
Não sei de nada e não sou de ninguém
Eu entro no meu carro e corro
Corro demais só pra te ver, meu bem

Um vinho, um travo amargo e morro
Eu sigo só porque é o que me convém
Minha canção é meu socorro
Se o mar virar sertão, o que é que tem?

Dias vão, dias vêm, uns em vão, outros nem
Quem saberá a cura do meu coração se não eu?
Não creio em santos e poetas
Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu
Melhor é dar razão a quem perdoa
Melhor é dar perdão a quem perdeu

O amor é pedra no abismo
A meio-passo entre o mal e o bem
Com meus botões à noite cismo
Pra que os trilhos, se não passa o trem?

Os mortos sabem mais que os vivos
Sabem o gosto que a morte tem
Pra rir tem todos os motivos
Os seus segredos vão contar a quem?

Dias vão, dias vêm, uns em vão, outros nem
Quem saberá a cura do meu coração se não eu?
Não creio em santos e poetas
Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu
Melhor é dar razão a quem perdoa
Melhor é dar perdão a quem perdeu

Não creio em santos e poetas
Perguntei tanto e ninguém nunca respondeu
Melhor é dar razão a quem perdoa
Melhor é dar perdão a quem perdeu


Eu gosto de ficar só e essa doce melancolia às vezes me contempla. Não estou triste nesses momentos, apenas não estou tão certa da alegria. Mas quando minha alma é tocada pela música posso me regenerar, pois, pode não satisfazer as minhas dúvidas, no entanto, acalenta o coração saber que outro ser no mundo parece entender o que eu sinto. Isso por si só me alivia e posso voltar à vida, me sentindo um pouco menos só. E sim, meu maior prazer na adolescência e juventude não era ir às baladas, bares, enfim, socializar. Meu maior prazer era quando meus pais viajavam e eu podia ficar finalmente só na varanda ensolarada da sala, fumando meu cigarro e ouvindo minhas músicas enquanto observava o céu e o movimento das nuvens. Isso me dava prazer, me inspirava, apesar de parecer melancólico e tristonho demais. Pois nem tudo é o que parece.

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